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Depressão e Infertilidade – uma questão de ajuda

Depressão e Infertilidade – uma questão de ajuda

Por Ferticentro
Publicado a 2020-06-24

O suicídio é um ato de desespero e a manifestação de um sofrimento insuportável. Mas ninguém decide morrer de um dia para o outro. Este é o culminar de uma situação com que a pessoa não sabe lidar, e a única solução que vê como possível é a fuga.  

No contexto da infertilidade, a ideação e as tentativas de suicídio são mais comuns do que pensamos. Parece uma contradição anti-natura: querer gerar vida e ao mesmo tempo querer morrer.

Vamos ser logo tentados a julgar como sendo um ato de cobardia, de falta de força de vontade por ultrapassar o problema ou pela dor que é transferida para os mais próximos, mas não nos esqueçamos que os casais inférteis estão muito fragilizados e que quem se tenta suicidar está psicologicamente doente. Tão doente como quem tem outra doença incapacitante ou que condicione a sua capacidade de viver em sociedade.

Só que esta doença – a Depressão – é por vezes um mal invisível, silencioso, solitário, causa vergonha… por isso se torna tão perigosa. Dói a alma e a alma pode doer mais do que um dente do siso, uma crise de ciática ou um fémur exposto. A depressão mata mais do que muitas outras doenças, mas não fazemos grupos de apoio para pessoas deprimidas, não participamos em caminhadas e maratonas pela depressão, não criamos desafios em corrente para a sua consciencialização nem tiramos foto dela para as redes sociais. A depressão não é socialmente compreendida nem aceite. Para o homem e a mulher infértil, a depressão pode ser uma companhia constante durante o processo de tratamento, e influenciar toda a sua experiência.

“Não penses tanto nisso”, “Pensa positivo que isso passa”, “Isso é demasiado tempo livre”. Como se a depressão fosse uma escolha. Sejamos honestos, alguém escolhe estar triste e querer morrer? Não é preferível, por exemplo, uma tarde de praia e uma bola de berlim, ou uma viagem a Paris com direito a entrada na Disney? Ninguém quer estar deprimido e pensar em suicídio.

A palavra-chave é “respeito”. Respeito por esta doença e pelo sofrimento do outro. Procurar ajuda não é fraqueza, é um enorme ato de coragem.

1 – Coragem para perceber e ter consciência de que algo não está bem connosco;

2 – Coragem para admitir que precisamos de ajuda especializada e permitirmo-nos ser ajudados;

3 – Coragem para enfrentarmos e sermos confrontados com os nossos maiores medos e inseguranças (o processo terapêutico pode envolver dor e sofrimento);

4 – Coragem para mudar, evoluir, melhorar, trabalhar o nosso funcionamento interno e aumentar o nosso bem-estar.

 

Há Linhas de Apoio e de Prevenção do Suicídio em Portugal a que pode recorrer de forma gratuita e com toda a privacidade:

 

SOS Voz Amiga (entre as 16h e as 24h)

21 354 45 45

91 280 26 69

96 352 46 60

 

Telefone da Amizade

22 832 35 35

 

Escutar - Voz de Apoio Gaia

22 550 60 70

 

SOS Estudante (20h às 1h)

969 554 545

 

Vozes Amigas de Esperança (20h às 23h)

22 208 07 07

 

Centro Internet Segura

800 21 90 90

 

Conversa Amiga

808 237 327

210 027 159

 

Telefone da Esperança

222 030 707

 

… sendo que na Ferticentro estamos igualmente disponíveis para o ouvir, para conversar ou simplesmente para ser a voz do outro lado do telefone que naquele momento está ali, ao seu lado.

Porque o tratamento da infertilidade é feito de humanismo, de ouvir histórias pessoais, de vidas em casal, de sonhos individuais ou partilhados e que, por alguma razão, estão a ser adiados.

Se precisar de ajuda não deixe de a pedir.

 

Contactos

800 101 004 (chamada grátis - apenas disponível em Portugal)

+351 239 497 280 (a partir do estrangeiro)

Margarida Fonseca, psicóloga da Ferticentro